Trump Lança ‘Conselho da Paz’ com Ambições Globais e Investimentos em Gaza Coroando 5 Bilhões de Dólares
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu seus aliados nesta quinta-feira (19) para inaugurar o audacioso “Conselho da Paz”. Esta nova instituição, centrada inicialmente nos avanços na Faixa de Gaza, revela ambições que transcendem imediatamente o conflito local. Portanto, o conselho pode se tornar um concorrente direto das Nações Unidas.
EM 2026 EM QUEM VOCÊ VOTARIA? FLÁVIO BOLSONARO OU LUIZ IGNÁCIO LULA
Vote e deixe seu comentário. Gostaríamos se saber sua opinião.
Votar_AgoraQuase 20 líderes mundiais, incluindo o controverso argentino Javier Milei, compareceram a Washington para o lançamento. Enquanto isso, a ausência de dirigentes europeus – tradicionalmente fiéis às iniciativas americanas – gera estranheza e levanta questionamentos.
O “Conselho da Paz” surgiu após Trump, em parceria com Catar e Egito, negociar em outubro um cessar-fogo que pôs fim a dois anos de guerra devastadora em Gaza. Washington agora afirma que o plano está em sua segunda fase, focada no desarmamento do Hamas. Este grupo armado palestino, segundo Israel, desencadeou a ofensiva após o ataque de 7 de outubro de 2023. O Ministério da Saúde de Gaza, sob autoridade do Hamas, reporta pelo menos 601 mortes por forças israelenses desde o início da trégua. Israel, por sua vez, acusa o Hamas de ter matado um soldado.
Promessas de Investimentos Estrondosos
Na reunião desta quinta, Trump detalhará promessas de investimentos espetaculares: mais de 5 bilhões de dólares (equivalentes a R$ 26,1 bilhões na cotação atual) para Gaza. O território devastado, segundo o presidente americano, poderia se transformar em uma área de luxuosos complexos turísticos. Além disso, a reunião analisará a implementação de uma Força Internacional de Estabilização, incumbida de garantir a segurança em Gaza. A Indonésia emerge como ator-chave, pronta para enviar até 8.000 militares se a força for criada.
Quais Avanços Concretos em Gaza?
Autoridades americanas, assim como o negociador de Trump no Oriente Médio, Steve Witkoff, insistem em progressos palpáveis. Eles afirmam que o Hamas está sob pressão para entregar as armas. Israel, por sua vez, impõe restrições que considera imprescindíveis para sua segurança. “A arma que causa mais dano chama-se AK-47”, declarou recentemente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. “É a arma principal, e essa tem que desaparecer”, disse Netanyahu, que será representado por seu ministro das Relações Exteriores. Um comitê tecnocrático, liderado pelo engenheiro e ex-funcionário Ali Shaath, foi formado no mês passado para gerir o cotidiano de Gaza.
O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, declarou à AFP: “O ‘Conselho da Paz’ deveria obrigar Israel a pôr fim às suas violações [do cessar-fogo] em Gaza e a suspender o seu cerco ao território.”
Ambições que Vão Além de Gaza
A reunião ocorre no Instituto da Paz dos Estados Unidos, rebatizado por Trump com seu nome. A Casa Branca estabeleceu termos poderosos: Trump terá poder de veto absoluto sobre o “Conselho da Paz” e permanecerá na liderança mesmo após deixar o cargo. Para se tornar membro permanente, os países devem desembolsar 1 bilhão de dólares (R$ 5,2 bilhões). Funcionários americanos admitem que o conselho, focado inicialmente em Gaza, pode tratar de outros focos de tensão global. Trump, que critica repetidamente a ONU e reduziu suas contribuições, busca claramente uma alternativa.
Aliados e Ausências Notáveis
Além de Milei, esperam-se líderes como o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e o presidente indonésio Prabowo Subianto. O Japão, habitual aliado dos EUA, ainda não decidiu se se juntará ao conselho, enviando apenas um enviado para Gaza. O presidente Lula rejeitou o convite, argumentando que o “Conselho da Paz” deve se limitar a Gaza e prever “um assento para a Palestina”.