Bitcoin Devora Ouro e Assume Liderança Absoluta na Rentabilidade do Trimestre
O terceiro trimestre consagra o Bitcoin como o grande campeão de rentabilidade entre os principais ativos negociados no Brasil. A criptomoeda valoriza 39.48% segundo levantamento da Elos Ayta enquanto o ouro avança apenas 3.74%. Portanto o BTC deixa o metal precioso muito para trás embora ainda acumule queda de 10.04% em reais no ano de 2026.
A recuperação do Bitcoin acontece após perdas pesadas no primeiro semestre. O ativo renovou recorde histórico em outubro de 2025 acima de US$ 126 mil e depois desabou para US$ 58 mil em julho. Hoje gira em torno de US$ 84 mil. Os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos voltam a captar desde julho e o fechamento semanal acima da média móvel de 50 semanas em setembro sinaliza recuperação.
“Um ativo que cai mais de 50% entre topo e fundo em menos de um ano não cumpre esse papel”
diz Rafael Castaneda head of ecosystem da EverValue.
“Reserva de valor não se mede em um trimestre. Mede-se em anos pela capacidade de preservar poder de compra”
defende Kevin Voigt CEO da Chainless.
Thaise Saeter Rytenband sócia-fundadora da Convex Research vê ouro como ativo neutro diante de tensões geopolíticas e principal reserva dos bancos centrais. O Bitcoin reage com mais intensidade às mudanças financeiras e ao fluxo de novos compradores.
Mychel Mendes CFO da Tokeniza explica que com juros altos e dólar forte o ouro protege melhor. Quando destrava liquidez o Bitcoin captura mais valor.
Os juros americanos representam obstáculo principal para nova alta. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro bateu maior nível desde 2007 e jogou o Bitcoin abaixo de US$ 84 mil. O PCE de agosto veio fraco e reduziu apostas de alta de juros em outubro mas o mercado projeta aumento para dezembro.
A Binance Research classifica o cenário como construtivo mas condicional. Thaise da Convex afirma que nova máxima em 2027 depende da consolidação do afrouxamento financeiro.
“Para superar a máxima o Bitcoin precisaria subir cerca de 50% a partir daqui e não trato isso como cenário central para 2026”
Mercado Bitcoin destaca que outubro concentra historicamente maior mediana de retorno desde 2011. A sazonalidade não garante alta. Voigt vê recorde improvável em 2026 mas viável em 2027 se demanda por ETFs se sustentar. Itaú BBA avalia que superação de resistências em setembro reforça ciclo estrutural de alta com próxima resistência em R$ 444.5 mil e suporte em R$ 390.1 mil.
Quanto ao peso na carteira especialistas divergem. Voigt cita recomendações de 1% a 4% do patrimônio e sugere até 5% para conservadores desde que queda de 50% não mude seus planos. Castaneda recomenda entrada gradual com aportes ao longo do tempo. Thaise considera 5% interessante para varejo mas reforça que disciplina importa mais que número exato com entrada gradual e rebalanceamento.
Comentários sobre esta parte (0)