Juíza Federal Libera Fusão Paramount com Warner Bros Discovery e Abre Caminho para Fechamento em Outubro
Uma juíza federal dos Estados Unidos deu o sim que faltava. Araceli Martínez-Olguín aprovou na quarta-feira (30/9) o acordo entre Paramount Skydance e 12 Estados americanos que tentavam bloquear a compra da Warner Bros. Discovery por questões antitruste. A decisão derruba a barreira legal e libera a fusão para ser formalizada em 6 de outubro.
O que a Paramount aceitou para fechar o negócio? A empresa combinada se comprometeu a ampliar a produção cinematográfica nos Estados Unidos com pelo menos US$ 1,5 bilhão em investimentos domésticos adicionais. Além disso, a Paramount se obriga a lançar 30 filmes por ano nos dois primeiros anos e 32 filmes anuais nos três seguintes.
Outro ponto exigido: criação de um fundo de US$ 47,5 milhões para treinamento e apoio aos trabalhadores afetados pela fusão. A companhia também precisa respeitar acordos coletivos vigentes e negociar de boa-fé com sindicatos.
Durante cinco anos, Paramount e Warner vão negociar separadamente a distribuição de seus canais básicos de TV paga, preservando a concorrência e evitando que o novo grupo use o tamanho ampliado para pressionar operadoras. A empresa ainda mantém um serviço gratuito de streaming no modelo Pluto TV e preserva o nível atual do serviço, com monitor independente acompanhando tudo.
O pacote inclui ainda a criação de um conselho de independência editorial para CNN e CBS, protegendo as operações jornalísticas que passarão a ficar sob o mesmo grupo.
O processo reuniu 12 Estados, liderados pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, com Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington. Eles alegavam que a fusão reduziria a produção de filmes, aumentaria preços e diminuiria a competição por profissionais de Hollywood.
“A juíza considerou o acordo uma solução justa, razoável e de boa-fé para os danos concorrenciais apontados no processo”
O caso caminhava para julgamento antitruste em 2027. A Paramount já tinha autorizações regulatórias em dezenas de países, inclusive do Departamento de Justiça dos EUA. A ação dos Estados era o último grande obstáculo.
A fusão avalia as ações da Warner Bros. Discovery em US$ 81 bilhões. Com dívidas, o valor empresarial chega a US$ 111 bilhões. Os acionistas da Warner recebem US$ 31 por ação, com adicional diário após o fechamento passar a data contratual de 30 de setembro.
A união coloca sob o mesmo teto Warner Bros., HBO Max, CNN, DC Studios, Discovery e Cartoon Network de um lado, e Paramount Pictures, CBS, Paramount+, Showtime, Nickelodeon, MTV e Comedy Central do outro.
David Ellison continua como presidente e CEO. A Paramount anunciou Ynon Kreiz, atual presidente e CEO da Mattel, como co-CEO. Ele começa em 5 de outubro quando a operação concluir. Ellison ficará na estratégia, direção criativa, tecnologia e relações com talentos, enquanto Kreiz cuida das operações diárias e da integração.
Com a aprovação judicial, cai a última barreira para a fusão. A conclusão está prevista para 6 de outubro, sujeita às condições finais habituais.