Tribunal do Júri absolve policiais acusados de matar adolescente de 13 anos, e reação mundial toma conta
Imediatamente após dois dias de julgamento tenso, o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro deliberou na madrugada desta quinta-feira (11) pela absolvição dos policiais militares Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal. Os agentes, do Batalhão de Choque, enfrentavam acusações de homicídio qualificado contra Thiago Menezes Flausino, de apenas 13 anos, e tentativa de homicídio contra Marcos Vinicius de Sousa Queiroz. O crime chocante ocorreu em agosto de 2023 na Cidade de Deus, zona oeste carioca.
EM 2026 EM QUEM VOCÊ VOTARIA? FLÁVIO BOLSONARO OU LUIZ IGNÁCIO LULA
Vote e deixe seu comentário. Gostaríamos se saber sua opinião.
Votar_AgoraOs disparos que mudaram vidas
Enquanto isso, Thiago e Marcos estavam juntos em uma moto quando foram alvejados por tiros de fuzil. Marcos, atingido na mão, sobreviveu ao ataque e prestou depoimento crucial, confirmando que o adolescente não portava arma no dia do crime. A maioria dos sete jurados votou pela absolvição, apesar dos agentes responderem a outro processo por fraude processual.
”A voz da sociedade” versus dor irreparável
Durante a leitura da sentença, o juiz Renan Ongaratto afirmou que, embora o Judiciário não seja indiferente à “dor que transcende a família das vítimas”, a decisão do tribunal corresponderia à “voz da sociedade”. Esta declaração, porém, gerou ondas de indignação nacional e internacional.
Amnistia Internacional dispara críticas
Em nota veementí, a Anistia Internacional manifestou indignação com o resultado. A organização denunciou que o foco do caso foi desviado ao tratar Thiago como criminoso em vez de vítima da letalidade policial. “A reação do tribunal mostra uma falha sistemática na proteção de vidas humanas”, reforçou a entidade.
O crime que chocou o Rio
A tragédia desencadeou-se quando Thiago caiu da moto em uma via de acesso à Cidade de Deus. Os policiais, em veículo particular descaracterizado, saíram atirando. O menino, sonhador em se tornar jogador de futebol, foi atingido pelas costas, primeiramente nas pernas e depois no tronco. Sem passagens policiais e com boletinos escolares que atestavam mais de 90% de frequência, seu nome se tornou símbolo de protestos em homenagem no Rio.
Versões contrastantes e mentiras expostas
O Ministério Público estadual denunciou os PMs por agir com torpeza em uma operação de tocaia ilegal com arma de alta energia. Por outro lado, a defesa alegou que os jovens seriam integrantes do tráfico e teriam atirado primeiro. Contudo, a tese foi desmentida por testemunhas e perícias. Além disso, a versão dos policiais sofreu drásticas alterações: primeiro negaram estar no local; depois afirmaram que o veículo era uma viatura policial com sirene.
”Mentiras que não sustentam”
O defensor público Pedro Cariello foi incisivo ao apontar: “Temos aqui dois réus que afirmaram ter atirado na vítima”. Ele destacou: “Temos alteração da narrativa pelos réus por duas vezes, ou seja, [os policiais] mentiram”. Cariello questionou ainda: “Isso é impossível, não é normal” a autorização para policiais usarem carro particular em operações.
Luto e memória de Thiago
Entre as testemunhas, a mãe de Thiago, Priscila Menezes, descreveu o filho com emoção: “Thiago era educado, carinhoso, sorridente e feliz”. Ela relembrou: “Thiago nunca me deu trouble, nunca me trouxe preocupação. Ele era um menino que gostava de ir pra escola, né? Tinha responsabilidade de acordar e ir pra escola, não precisava cobrar isso dele”. A imagem do adolescente, assíduo em duas escolas de futebol, contrasta com a brutalidade do crime que ceifou sua vida.